segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015



A CRISE HÍDRICA DO SUDESTE: PASSOS DE UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA



O ano de 2015 iniciou-se sem apresentar uma projeção para a solução da falta de água na região sudeste. O Estado de São Paulo, epicentro da crise hídrica sem precedentes na região, procura adotar medidas heterodoxas para conter a escassez e busca alternativas que visem, pelo menos, reduzir o desconforto que tal problema tem trazido aos paulistanos. Este assunto, no entanto, não deveria ter pego os governantes paulistas de surpresa. 

No início do século, em 2001, o especialista em recursos hídricos Marcos Freitas, então diretor da Agência Nacional das Águas (ANA), ao ser entrevistado por uma revista, à época, manifestou um prognóstico, até então, esdrúxulo, para o ano de 2015, mas que hoje reflete a mais pura e dura realidade. Na entrevista, Freitas afirmou que “o país, mesmo tendo o maior volume de água doce do planeta, viveria uma grave crise hídrica.”

Em São Paulo, a população já sofre com a pressão reduzida na rede, o que muitas vezes significa conviver com torneira seca por até 18 horas. E pior: pode ser obrigada em breve a enfrentar um rigoroso racionamento e ficar quatro ou até cinco dias por semana sem água.

A medida drástica tem uma razão. Se a chuva não vier e o consumo não for reduzido, os reservatórios podem ficar desabastecidos ainda no primeiro semestre. A previsão mais pessimista fala em desabastecimento completo em março. O cenário faz serem cogitadas possibilidades como antecipação das férias escolares de julho para maio, uma maneira de incentivar que muitas famílias deixem o Estado e, assim, diminuam o uso de água.

Mas se o problema era conhecido há tantos anos, por que não foi evitado? A resposta é complexa. O fato é que a previsão de Freitas mais de uma década atrás não tinha nada de sobrenatural. Estava baseada em números e no comportamento do paulistano, que apresentava um descontrole com o uso racionado da água e isto já tem influenciado negativamente, sobretudo na economia.

Os reflexos econômicos da falta de água são incontestes. Mesmo mais preparada para a seca que se avizinhava, a indústria sente com rigor o efeito da crise. Diversas empresas já adotavam cisternas e poços para abastecimento, mas, com a intensidade da estiagem, pelo menos 60 mil negócios devem ser afetados em São Paulo, segundo estimativa da Federação das Indústrias (Fiesp). As companhias atingidas respondem por cerca de 1,5 milhão de empregos.

“A última coisa que a indústria quer fazer é reduzir os postos de trabalho. Mas se a crise se aprofundar e a empresa for obrigada a reduzir atividades, ficar um dia sem água, aí começará a impactar, e as empresas terão de fazer contas”,  diz Nelson Pereira dos Reis, diretor titular do Meio Ambiente da Fiesp.

Para mitigar os impactos, a entidade está mapeando agora as águas metropolitanas do Estado. O plano é que as empresas possam se juntar em consórcios para construir poços e garantir o abastecimento.

A procura por águas subterrâneas, uma alternativa que funciona bem em Ribeirão Preto, importante centro industrial, tem aumentado. O município é responsável pelos maiores volumes de extração de água do Aquífero Guarani no país.

Roberto Kirchheim, geólogo especializado em recursos hídricos e ex-integrante do Projeto Aquífero Guarani, da Organização dos Estados Americanos (OEA), explica que o recurso utilizado faz parte da taxa de recarga, que se renova todo ano: “Se fosse usada de forma ostensiva a reserva permanente, seria um problema, mas uma avaliação global diz que a situação de hoje é confortável.”

No Rio, pesquisa realizada pela Federação das Indústrias do Estado (Firjan) com 487 companhias revela que 30,6% delas já enfrentam problemas por conta do baixo nível nos reservatórios. Essas companhias empregam aproximadamente 15% das vagas industriais fluminenses.

Em Minas Gerais, o racionamento aventado pelo governo na região metropolitana de Belo Horizonte e no norte do Estado deve impactar no desempenho da indústria e da mineração, que juntas representam 20% do total de água consumido.

Consulta: Portal ZH Noticias. Sabesp. Firjan. 


Da Redação. 
Consulta: Portal ZH Noticias. Sabesp. Firjan. 

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